quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

OSR - Slumbering Ursine Dunes

Este livro fantástico para Labyrinth Lord foi escrito por Chris Kutalik, da "Hydra Collective", tem 68 páginas de aventura pointcrawl (mais infos sobre isso, aqui) e faz parte do seu cenário "Hill Cantons".

Inspirado no folclore Eslavo, esse cenário sandbox (ou pointcrawl - as vezes as coisas se confundem, ehehe) é muito interessante, e entrega muito material em um número perfeito de páginas. Sinto falta de módulos desse tamanho. Claro que também gosto de megadungeons, livros tipo Barrowmaze ou Dwimmermount. Mas tem algo na habilidade de condensar informação que me anima muito mais, além de criar menos pontas a amarrar.

Continuando: por algum motivo qualquer, o grupo acaba nessa região. De todos os pontos interessantes, dois deles são mais "chamativos", ou seja, tem mais história a ser vivida.

A Golden Barge,  um tipo de barco meio futurístico, tem desafios o suficiente para você entender o porque da sugestão do "nível 4".

Já a Glittering Tower parece um pouco mais com uma "torre-dungeon", com war bears (uma raça muito legal, que inclusive é jogável através das regras deste livro) e um senhor da torre pra lá de único (ele é um dos plots de intriga do módulo, por isso não quero falar muito dele).



As intrigas de facção são bem interessantes também, e a dificuldade geral do módulo parece compatível com o anunciado. Claro, presumindo que o grupo não tente matar tudo que encontra pela frente, nem tente "zerar a dungeon" ou "matar o boss" (ou qualquer um desses termos nojentos -blérgh!)


Ursos humanóides, elfos bizarros meio futuristas, um homem tubarão semi deus e muitas coisas estranhas te esperam nas dunas. Alias, outra coisa bacana é uma regra opcional que dá uma escala de "estranheza". Dentre os três níveis, cada um apresenta eventos interessantes, de chuvas de sangue a objetos que aparecem do nada, para deixar tudo bem esquisito.

Achei muito divertido, do modo que tem me satisfeito: esquisito, perigoso e com muitos ganchos de aventura. Recomendado!







Adquira o seu aqui.


terça-feira, 2 de janeiro de 2018

Appendix N no Brasil - parte 1

Essa ideia tinha me ocorrido a muito tempo, mas os afazeres do dia a dia deixaram ela pra lá. O comentário do colega Crustie Noise me reascendeu essa ideia, e portanto, vamos tentar compilar ao máximo o número de livros que temos por aqui.

Só para os desavisados: "Appendix N" era um dos apêndices no AD&D1ed, em que Gygax relatava livros que o inspiraram na criação do D&D, ou que fossem "leitura obrigatória" para todo fã. A lista completa, em inglês está do lado direito deste blog.

Por fim, esta postagem será atualizada conforme eu conseguir mais informações. Claro, faltam os Conan, Elric e Lankhmar, mas em breve eu os coloco aqui!


Poul Anderson
A Espada Quebrada. Citado diretamente no Appendix N, publicado pela Global Editora e Distribuidora Ltda.






















Leigh Brackett

Escritora prolífica no campo da ficção científica, também conhecida como "A Rainha do Space Opera". Aqui temos "A Equação Humana", com participação de Leigh e Ray Bradbury no conto "Lorelei da Névoa Escarlate"




















Fredric Brown
Existem muitos livros desse autor, conhecido dentre outras características por histórias curtas, de 1 a 3 páginas. Desconheço ainda qual a ligação dele com o Appendix N, e pelo volume de material, não saberia recomendar nenhum em específico.

Edgar Rice Burroughs
Recomenda-se a "série 'Marte'". Uma Princesa de Marte, Os Deuses de Marte, O Comandante de Marte. E claro, John Carter - Entre Dois Mundos (apesar deste ser escrito tendo o filme como base). A série "Pellucidar" não tem muita representatividade em nossa língua, assim com a série "Vênus". Estes primeiros temos pela editora Aleph.

Gardner Fox
Série "Kothar": Kothar of the Magic Sword ("A Espada das Mil e Uma Mortes"), Kothar and the Demon Queen ("No Reino da Mulher Demônio"), Kothar and the Conjurer's Curse ("A Conjuração dos Feiticeiros".  Esse seria adaptado para uma história em quadrinhos do Conan, Kothar and the Wizard Slayer ("O Mago Exterminador", que junto com "No Reino da Mulher Demônio". fora publicada em um "2 em 1")




Até a data de hoje, apenas o primeiro, Kothar: Barbarian Swordsman, não foi traduzido.

Jack Vance
A famosa série Dying Earth conta com apenas duas entradas aqui. O livro A Agonia da Terra, e o conto "Mazirian, o Mágico", da coleção "Isaac Asimov apresenta: Magos - Os Mundos Mágicos da Fantasia"



Edit 2/1/18
E a história Mazirian, o Mago, que tem no livro Magos, está no Agonia da Terra, que apresenta as seguintes histórias:

Turjan de miir, pág. 5
Mazirian o mago, pág. 27
T'sais, pág. 49
Liane, o viandante, pág. 83
Ulan Dhor, pág. 99
Guyal de Esfera, pág. 133

Obrigado Arnóbio W. Filho, do grupo Amantes de Livros de Ficção Científica no Facebook



quinta-feira, 21 de dezembro de 2017

Sabedorias de Frank Mentzer - Dragões

No grupo "BECMI" do Facebook (Basic, Expert, Champion, Master e Imortal, que sãos os módulos de instrução do D&D desenvolvidos pelo Frank Mentzer), um membro questionou que achava muito forte um dragão sempre acertar seu ataque de Baforada, dependendo apenas do personagem passar ou não no teste de proteção.

Frank Mentzer responde:

É complicado.
Primeiro eu interpreto o dragão, reagindo ao ocorrido.

Desde pequenos, eles aprendem a regra 1: não se envolvam em combate com aventureiros. Mantenha sua distância. Estes cretinos só querem seu tesouro. Gaste-o se precisar. Fuja, o céu é seu amigo.


Mas uma nota ao DM: é fácil de imaginar a defesa ou reação perfeita, então dê um jeito que o inimigo cometa alguns erros, geralmente com conhecimento limitado.


terça-feira, 21 de novembro de 2017

Sabedoria de Mike Mornard (parte 5)

Mais um post resgatado do Vorpal. Esse é de Maio de 2011!

Leiam as outras partes aqui.

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Bom, antes de tudo quero pedir desculpas aos leitores pelo ritmo lento das postagens. A boa razão por trás disso é que muito trabalho tem sido feito em prol do Old Dragon, e por isso, o tempo para o blog deu uma reduzida. Mas não se sintam abandonados, ok?

Gronan é um jogador das antigas. Tão das antigas que participou das três primeiras campanhas: Blackmoor, Greyhawk e Tékumel. Participando em fóruns tipo o RPG Net, com humor e certo sarcasmo, Michael Mornard deixou algumas pérolas de sabedoria, e trago duas hoje para vocês.

Sobre role-playing:
Adicionávamos por conta. Não existiam regras sobre isso porque ninguém pensava que existia a necessidade; as regras eram para os “malucos” por mecânicas.
A noite que Ernie (Gygax) convenceu uma chimera a não nos atacar, dependia do quão bem Ernie falaria, não de alguma regra. Na noite em que meu Balrog de 3º nível fingia ser um fotógrafo para a revista “Balrog Times”, nosso sucesso dependia de quão bem conseguiríamos divertir o juiz.
As regras eram escritas com uma atitude “Tudo não proibido é permitido”.


Sobre as regras escritas:
Existem duas maneiras completamente diferentes que as pessoas abordam as regras de um jogo (RPG ou outros):
1. Qualquer coisa não especificamente proibida é permitida
2.Qualquer coisa não especificamente permitida é proibida
Qual destas você aceita faz uma diferença incrível em como um jogo funciona. Muitas pessoas parece ter o ponto de vista #2


Existem ainda muitas boas histórias em relação à criação do D&D, mas deixarei para a próxima. Abraço a todos e muito obrigado pelas visitas!

sábado, 7 de outubro de 2017

Jim Ward, Rob Kuntz e a "auto bola de fogo"

James Ward comentou em seu perfil no Facebook sobre uma história divertida.
Jim começou a mestrar no fim dos anos 70, e tinha uma partida logo antes de Gygax. Ou seja, seu grupo era o grupo de Gary, jogadores veteranos e bem vividos nas artes do jogo.

James sabia que eles seriam críticos ferrenhos, e usou de todo seu conhecimento literário fantástico para preparar algo interessante. Em algum livro (que ele não recorda), existia uma criatura chamada "Diss", que na minha leitura parecem as formigas de marte do episódio do Pica Pau :D

James colocou uma bela caixa de teca (um tipo de madeira chique) na encruzilhada da dungeon. Quem a avistasse, perceberia na hora que era um item muito bem feito, de fabricação superior.


Rob Kuntz pegou a caixa e a quebrou, liberando milhares de Diss que o atacaram, causando 3 pontos de dano por rodada. Ele começou a dizer que estava esmagando eles com as mãos, e Jim respondeu que ele conseguia matar 4 por rodada (lembrem que eram milhares!).

 "Eu rolo no chão!", gritou Kuntz, em desespero.
"Ok, você matou mais dez dos milhares de insetos que estão te devorando".

"Eu não acredito que vou fazer isso", disse Kuntz, enquanto lançava uma bola de fogo em si mesmo.

E depois disso, nenhuma caixa de teca foi aberta durante o resto da campanha.

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Skipp Williams (que fez parte da mesa de teste do AD&D de Gary, e é um dos criadores da 3ed) disse que a bola de fogo causava "apenas" 6d6, e que vinha de uma varinha. E que nas mesas de Jim, todos deveriam ter um método de auto-imolação :D

segunda-feira, 2 de outubro de 2017

Sabedoria de Mike Mornard (parte 4) - Aventurando-se

Para quem não lembra quem é Mike Mornard, sugiro ler as partes anteriores.


[...]Minha aventura favorita foi como um Mago de 1º nível. Eu havia escutado sobre uma entrada que levava ao 3º nível de Greyhawk [N.T.: neste caso, "Greyhawk" era a dungeon que eles jogavam, e não a cidade ou cenário em si] e fui atrás.

Sozinho.

Com 3 PV e a magia Enfeitiçar Pessoas.

Apenas eu.

Um Mago de 1º nível.

No Castelo Greyhawek

Com Gary Gygax como Mestre.

Alcancei o 2º nível no fim da noite com XP suficiente para faltar apenas 1 para o 3º nivel. Eu corri, me escondi, joguei lanternas (fogo, olho e um lugar para segurar em um pacote conveniente!), eu me escondi, e me escondi mais um pouco.Então, tenho ondas de "porra nenhuma de simpatia" por pessoas que reclamam que é chato jogar com Magos de nível baixo.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Entrevista com Diana Paxson

Salve pessoal!
Outro dia eu estava procurando essa entrevista muito legal que fiz com uma grande autora, Diana Paxson. Percebi que ela havia se perdido nas confusões da internet, soterrada no Vorpal. Alias, graças ao grande Igor Sartorato, que tinha salvo o blog num doc, consegui reaver esse material.

Aqui está, então:

Entrevista com Diana Paxson

Pessoal, hoje trago para vocês uma entrevista muito legal que fiz com uma escrito muito importante na área da fantasia, Diana Paxson.
Diana nasceu em 1943 e é a atual responsável pela continuação da série de Avalon, contando o que se passa antes de “As Brumas de Avalon”, romance escrito por Marion Bradley.
Apesar de não ser a única série cooperativa de ambas, é a que mais me interessa, e aconselho a todos lerem o primeiro livro da série, “A Queda de Atlântida”. A série “Avalon” em si é muito interessante, e ao contrário do que pensava, não é uma série “girl power” / “man are scumbags”.
Estou revendo alguns conceitos que tinha sobre druidas, magias divinas e ordens clericais.
Vamos então às palavras de Diana Paxson.
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1-Poderia nos falar um pouco sobre você? Preferências, escolhas na carreira, etc?

Cresci no sul da Califórnia, e passei a maior parte do meu tempo livre lendo, desenhando, e fazendo caminhada nas colinas. Me formei em Inglês no Mills College no Norte da Califórnia, e meu Mestrado em “Literatura Comparativa” na University of Califórnia em Berkley. No mesmo ano (1966), fiz o primeiro torneio, reunindo as pessoas que criaram a “Society for Creative Anachronism” [N.T: ou ‘SCA’. Vejam mais a frente]. Em 1968 me casei com Jon DeCles, que já era um escritor de ficção científica, e era irmão adotivo da Marion Zimmer Bradley. Pelos próximos 10 anos, a maior parte da minha energia foi usada em desenvolver melhor a SCA. Eu também estava trabalhando escrevendo materiais educacionais e criando uma família.
Em 1971 comecei a escrever ficção, e em 1981, minha primeira novela “Lady of Light”, fora publicada. Fiz meu sustento com a escrita, com períodos ocasionais de ensino de Inglês, desde então. Meus maiores trabalhos incluem as “Chronicles of Westria”, situada num futuro alternativo da Califórnia, um certo número de novelas solo de fantasia sobre temas lendários, e a série de Avalon. Fiz por volta de 75 histórias curtas, a maioria antologias.
Escrevi também quatro livros fora da ficção sobre religião neo-pagã.
Vivo em Berkley, dividindo uma casa grande com meu filho, sua esposa, e seus três filhos, e sou ativa na comunidade pagã local, nacional e internacional.

2- Quais foram as maiores influências para suas histórias? Temas, autores, etc.

Meus autores favoritos incluem J.R.R. Tolkien, C.S Lewis, Marion Zimmer Bradley, Ursula LeGuin, Michael Scott Rohan e S.M. Stirling. Para relaxar, leio Lois Bujold e David Weber.

3- Na sua opinião, quais as maiores diferenças na Literatura de Fantasia, de quando você começou a escrever até os dias de hoje? Existe alguma?

Quando comecei, a única fantasia publicada era para crianças. Quando Tolkien se tornou popular, a fantasia adulta veio logo atrás, e agora vemos um retorno da fantasia para jovens adultos. Existiram muitas “modas” na Fantasia, incluindo épica, feminista, e vampiros.

4- Algumas pessoas dizem seus livros e os de Marion são apenas sobre “poder feminino”.  Puxa, eles estão errados ou o que? Quero dizer, as mulheres tem poder nos livros, mas elas sofrem o mesmo ou mais que os homens! Prefiro pensar não como “histórias femininas”, mas como “ponto de vista feminino”. Por favor, conte-nos um pouco sobre isso?

Marion trabalhou vários temas em seus livros de ficção científica, incluindo homossexualidade, habilidades psíquicas e feminismo. As Brumas de Avalon foi escrita no auge do movimento feminista, e cumpriu uma importante necessidade de olhar para as histórias tradicionais de um ponto de vista feminino e explorar o poder feminino. Os livros que seguiram continuam a ter protagonistas mulheres, mas dei aos personagens masculinos mais importância.

5- conte-nos sobre a Society for Creative Anachronism. Como você teve essa idéia? Alguma boa lembrança e histórias que queira dividir conosco?

Dois jovens do clube de ficção científica local estavam tentando imaginar como uma luta de espada medieval e escudo funcionariam, tentando reproduzi-la. Quando vi seus equipamentos, pedi a eles para treinarem em meu jardim para que eu pudesse fazer esboços precisos para uma revista amadora de ficção científica que eu costumava ilustrar. Observando, pensei em como muitas pessoas que eu conhecia, na faculdade e entre fãs do assunto, gostariam de ver como realmente era, e percebi que tinha bastante espaço no meu jardim para um pequeno torneio. Claramente essa era uma idéia boa, já que quando torneio a notícia do evento pública, todos os tipos de pessoas apareceram, e queriam continuar com o evento.
A hora era propícia para inventar um novo tipo de cultura, em que as pessoas poderiam se relacionar umas com as outras e com as coisas que estavam acostumadas numa maneira mais orgânica, pessoal.
Não sou mais um ativa na organização, mas estou presente em alguns eventos de vez em quando e mantenho velhas amizades, e tenho muito orgulho de ter feito parte da criação disto.
[N.T: a SCA foi criada em 1966, e hoje tem mais de 30 mil membros. O nome “Society for Creative Anachronism” foi criado por Marion Zimmer Bradley, uma das primeiras integrantes]



6- Ainda sobre a SCA, sei que David Sutherland, famoso ilustrador de RPG, fez parte da sociedade. Me parece que vários membros tinham diferentes talentos que poderiam ser utilizados em interesse mútuo, como arte fantástica, poesia, etc. Poderia falar mais sobre outros membros da SCA e suas atividades?

A SCA recria uma sociedade inteira, então precisa de pessoas para fazer tudo, de roupas básicas até poemas e músicas originais e pergaminhos com caligrafia. Pessoas fazem todos os tipos de trabalhos e arte, geralmente com uma habilidade artística muito elevada. O “Artes e Ciência” exibido em grandes eventos é impressionante.
É difícil, contudo, arranjar tempo para fazer seu trabalho como um artista e ainda participar em tempo integral da SCA, então a maioria dos artistas e escritores profissionais acabam tendo que interromper suas atividades na SCA.

7- Você já jogou RPG ou wargames? Se já, poderia nos contar suas experiências?

Não—Sempre pensei que se fosse colocar algum tempo nisso, esforço e imaginação em criar personagens e cenários, eu gostaria de ser paga para tal. Meu filho, contudo, conduz jogos em nossa casa mais ou menos duas vezes por semana, então ouço sobre isso constantemente.

8- Devo confessar que não li (ainda!) todos os livros da série de Avalon, mas dos três primeiros livros em português (Queda de Atlântida, Ancestrais de Avalon e Corvos de Avalon) o uso de “magia forte” é visto normalmente quando os sacerdotes trabalham juntos, e na maioria dos livros de fantasia que li, o mais comum é “um personagem forte” (Gandalf, Raistlin e até Rincewind de Discworld, de certa forma). Entendo que personagens como Domaris, Chedan e Micail tem um grande poder interno, mas você e Mario escolheram a “magia em grupo” por alguma razão em particular?

Existem duas razões para a forma que a magia ocorre nos livros. A primeira é que Marion começou com a tradição Atlante, que tem um sociedade hierárquica com um  estilo de magia sacerdotal e cerimonial. Seu próprio passado místico foi inspirado pela Order of the Golden Dawn, que também tem uma abordagem cerimonial e baseada em grupos. Ela e seu marido dirigiam um grupo cerimonial próprio nos anos 70. No começo dos anos 80, ela e eu fundamos o Darkmoon Circle, um “coven” Wicca feminista que foi o modelo para o “College of Priests” em Avalon. A maioria dos livros com “magos solo” são escritos por pessoas talentosas que tem um bom instinto para mitologia e teoria mágica, mas nunca trabalharam num grupo místico, portanto não sabem como descrever um.
(para mais informações sobre este background, veja WWW.avalonboks.net)

9- Quais os problemas que você enfrentou quando “tomou conta” da série de Avalon? Imagino que deva ter sido muito difícil “conectar todas as pontas”, lembrando todos os personagens, ações, problemas a vir, etc. Você tem algum tipo de “árvore genealógica” para os personagens ou algo do gênero?

Marion nunca teve a intenção de escrever uma série sobre Avalon. Ela teve um derrame enquanto escrevi “A Casa da Floresta”, e me pediu para tomar as rédeas.  Este livro foi baseado na ópera do séc. XIX “Norma”, com um típico final deprimido de ópera, então sugeri deixar Caillean sobreviver e ressuscitar a comunidade feminina de Avalon. Aquele livro funcionou bem, e os editores pediram por outro, e assim a série nasceu. Marion não gostava da consistência necessária para uma série, mas eu preferia escrever séries, e curtia trabalhar e pensar em todas as ligações.
Tenho várias notas de coisas como reencarnações dos personagens (uma das maneiras de manter a continuidade numa série que transcorre em 2500 anos).

10- Que conselho você poderia nos dar sobre criar e contar histórias?

Escrever o que você saber, mas continue aprendendo, assim você sempre saberá algo novo. Escreva sobre personagens que você se importa. Tenha certeza que algo realmente tenha acontecido ou mudado para eles quando o livro chegar no fim.

11- Algum último comentário que gostaria de fazer?

Estou encantada em saber que tenho leitores no Brasil, que é um dos países mais fascinantes do mundo atualmente. Adoraria visitar um dia.